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A psicoterapia resolve TODOS os problemas?

Publicado por Natália Malini em




É ótimo ver crescendo a consciência da necessidade dos cuidados com a saúde mental. Indicamos terapia para as pessoas que queremos ver bem ou que solucionem seus problemas. Mas será que a terapia resolve todos os problemas do mundo? Infelizmente não, mas vem comigo que vou explicar o motivo.

Primeiro ponto é que em terapia trabalhamos o seu desenvolvimento pessoal, individual, dentro da sua realidade e suas questões. Mas somos seres sociais e somos influenciados por fatores históricos, culturais, econômicos, políticos, questões de raça, gênero, etc dos quais não temos controle. São problemas coletivos que não podemos culpabilizar e reduzir para soluções individuais. O capitalismo, racismo, homofobia, machismo, falta de acesso/qualidade à educação, saúde, violência, emprego, etc implicam diretamente na saúde mental. As mudanças devem ser coletivas. A psicoterapia sozinha não vai salvar o mundo e resolver todos os problemas que nele existem.

Segundo ponto, existem pessoas que procuram na terapia uma fórmula pronta e uma solução mágica para seus problemas, como uma cura milagrosa. Isso mostra não só uma postura passiva do paciente como uma terceirização da culpa daquilo que acontece dentro dele. Se a pessoa não toma responsabilidade pela própria melhora e se dispõe a realizar mudanças práticas e de pensamentos, dificilmente verá algum avanço ou resultado. O psicólogo não faz milagre. Não é o profissional que resolve sua vida. No processo psicoterapêutico, o profissional tem o papel de te ensinar técnicas e te dar ferramentas para que você sozinho consiga enxergar com clareza o que está acontecendo e poder fazer suas próprias “intervenções” fora da sessão, enquanto a vida está acontecendo.

O primeiro passo é sim buscar ajuda psicológica e cuidar de suas questões individuais, porém concomitante a isso é lutar não só pelos seus direitos mas fazer também a sua parte para que a propagação de preconceito, ódio e etc não continue. Tudo isso dentro da sua realidade. Ir à luta é também feito de “pequenas” ações como corrigir quem está próximo, e grandes como votar em quem defende seus interesses como minoria e quem está do lado do povo (porque coletivamente é isso que somos todos, um povo). É se conscientizar não só sobre questões sociais mas como seus próprios problemas. Saber separar o que é seu e o que provém do coletivo. Cuidar da saúde é pensar em si e no próximo, se enxergar num todo e lutar, dentro da sua realidade, por uma sociedade melhor.